Agrofloresta: caminho estratégico para preservar mananciais e garantir água para o futuro

imagem: FunBEA

A adoção de sistemas agroflorestais tem se consolidado como uma das práticas mais eficientes para recuperar áreas degradadas e proteger nascentes em diferentes regiões do país. Em alguns municípios de Minas Gerais, essa estratégia já começou a ser implantada por meio do Programa Pró‑Mananciais. O tema, inclusive, foi destaque durante a formação em Educomunicação promovida pela  Gerência de Desenvolvimento Ambiental da Copasa, reforçando sua relevância para a gestão hídrica. 

A agrofloresta combina espécies nativas, frutíferas, plantas de ciclo curto e árvores de grande porte em um mesmo espaço, imitando o funcionamento das florestas naturais. Essa diversidade cria um ambiente mais fértil, aumenta a infiltração de água no solo e reduz a erosão, esses que são fatores essenciais para que as nascentes se mantenham vivas e produtivas ao longo dos anos.

Além da importância ecológica, experiências práticas mostram como esse modelo pode transformar comunidades. Thaís Martini, integrante do Colmeia de Brumadinho, exemplifica que no território de Eixo Quebrado, zona rural de Brumadinho (MG), iniciativas de regeneração ambiental se entrelaçam ao fortalecimento da saúde popular. O trabalho une práticas agroecológicas ao uso ancestral das ervas, promovendo o cuidado do solo, da água e das pessoas.

“A regeneração aqui é um processo integral. A agrofloresta está na zona rural, na comunidade Eixo Quebrado, em Brumadinho. Fica na sede de atividades do Epicentro Urihi, organização da qual sou cofundadora e educadora, e é onde eu moro também”, explica Thaís. 

Ao recuperar a cobertura vegetal e fortalecer a estrutura do solo, os sistemas agroflorestais funcionam como verdadeiros “berçários de água”. Eles regulam a temperatura, protegem o lençol freático e promovem ciclos hídricos mais equilibrados. Em áreas onde a degradação avançou, a introdução da agrofloresta pode acelerar a regeneração e restaurar fluxos de água antes comprometidos.

A prática também aproxima a comunidade da conservação ambiental, uma vez que combina produção sustentável de alimentos com preservação dos recursos naturais. Ao enxergar a floresta como aliada, agricultores e moradores se tornam agentes diretos na proteção das nascentes e na construção de paisagens mais resilientes.

Com a crescente pressão sobre os mananciais, a agrofloresta surge como uma resposta concreta e acessível, capaz de unir produtividade, biodiversidade e segurança hídrica. Uma estratégia que, quando compreendida e multiplicada, fortalece o futuro da água e das comunidades que dela dependem.

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